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Como fazer o TCC e não enlouquecer

Ana Paula Figueiredo
Agexcom – Unisinos

Você faz o vestibular, é aprovado e ingressa na vida acadêmica. Depois de muitos trabalhos, provas e alguns anos de estudo é chegada a hora de dar início ao temido Trabalho de Conclusão de Curso, popularmente conhecido como TCC.

Até mesmo o mais tranquilo dos estudantes fica ansioso diante de tal missão. Alguns dizem que é um trabalho como outro qualquer, com a diferença de que é apresentado para mais de um professor ao mesmo tempo. Para outros, o TCC é um verdadeiro tormento.

Pensando na angústia pela qual passam muitos alunos, o Portal3 foi atrás e ouviu professores e ex-estudantes em busca de dicas e orientação, com o objetivo de auxiliar os desesperados na melhor maneira de construir o seu trabalho. E descobrimos que, quando bem organizado, o TCC nem sempre é um bicho-de-sete-cabeças.

Dicas

Para que o trabalho tenha um bom andamento e o aluno possa usufruir bem o período, é preciso ter em mente algumas ideias.

Segundo o professor do Programa de Pós-Graduação (PPG) da Unisinos Fabrício Lopes da Silveira, é importante que o estudante saiba bem o que quer. Para aqueles que estão matriculados em TCC I, antes de tudo, o professor aconselha conversar bastante com os professores e colegas.

Após o diálogo, é necessário manter a organização. “É preciso confirmar o interesse, verificar se o assunto é provocante, estimulante. Pode ser, por exemplo, sobre o que mais lhe chamou a atenção durante o curso”, explica Silveira. O professor salienta ainda que é importante também que o tema já tenha foco, um bom recorte e uma boa delimitação.

Para dar início ao trabalho, Silveira diz ser fundamental a procura por estudos e bibliografias relacionados ao tema. “É preciso ter uma noção de referenciais. Não precisa ser muito extenso, três ou quatro livros já são suficientes para começar”, avalia.

O professor lembra ainda que a persistência também é importante. Uma das primeiras preocupações de quem vai fazer o TCC I é manter o projeto até o final e tentar aprimorá-lo. “O aluno deve aproveitar ao máximo o projeto construído”, explica.

No entanto, não são apenas os estudantes de TCC I que têm dúvidas. Muitos alunos chegam ao final do curso sem ideia para o tema do trabalho, às vezes até já matriculados em TCC II. Por vários motivos, não são raros aqueles que trocam de assunto várias vezes, ficando, assim, sem um trabalho definido. “Esses casos são mais graves”, destaca Silveira. Segundo o professor, é importante para o aluno que chega em TCC II com dúvidas que consiga descrever os materiais concretos que se quer trabalhar, como filme ou programa de TV.

Experiências

Para aqueles que já ultrapassaram os processos de desenvolvimento de TCC e apresentação na banca é mais fácil definir as questões que são importantes durante a construção do trabalho. Entre elas está a jornalista Bárbara Keller, formada recentemente pela Unisinos. Ela contou ao Portal3 um pouco de suas experiências com o “terror” de quase todos os estudantes: o TCC.

Uma das primeiras coisas que o aluno deve pensar é na escolha do orientador. Para Bárbara, isso, muitas vezes, pode ser considerado um fator determinante para a boa construção do trabalho. Ela acredita que a definição do orientador antes de começar a construção do TCC pode influenciar positivamente ou não. “É sempre bom pedir sugestões de professores e colegas para achar um orientador que entenda do objeto de estudo proposto pelo aluno”, sugere.

Segundo Bárbara, uma das principais questões que deve estar na mente dos alunos que estão próximos de realizar o trabalho é elaborar um projeto que dê prazer em fazer pesquisas, buscar leituras. “Pensei que seria mais fácil fazer um TCC sobre um assunto que fosse do meu interesse, do qual gostasse, por isso pensei em cinema e literatura e, a partir daí, elaborei o projeto”, conta.

Bárbara explica que, mesmo tendo o tema perfeito para o trabalho, algumas vezes é necessário modificar determinados detalhes para dar mais foco ao objeto de estudo. “Fiz pequenas alterações, alguns ajustes e foquei mais. Mas não abandonei o projeto, assim, pude começar o trabalho já com algum material e referencial teórico pronto, não precisei começar do zero”.

Desenvolvimento

Sobre a forma de organização, a dica da jornalista é que cada um deva buscar a que lhe for mais agradável. “A maneira que encontrei foi focar primeiro na estrutura do trabalho, quantos capítulos queria ter e quais seriam eles. A partir daí, iniciei as leituras sugeridas pela orientadora e por meio da pesquisa bibliográfica que já tinha feito na disciplina de projeto”, explica. A cada livro que Bárbara lia, mesmo que fosse só parte dele, ou alguns capítulos, fazia uma ficha de leitura. As fichas de leitura foram o jeito mais fácil que ela encontrou para se organizar. “Ao mesmo tempo que parecia que não tinha nada escrito, tinha um material extenso, sobre todas as leituras, e só precisava ‘jogar’ aquilo dentro do trabalho e organizar as ideias com as minhas palavras, com o meu entendimento sobre o assunto”, conta.

Mesmo com as diversas atividades do dia a dia e das aulas, é possível produzir um bom trabalho. Bárbara diz que, além de escolher um tema que seja do agrado do aluno, é fundamental fazer e entender as leituras.

“Outro passo é escrever de forma clara e objetiva, expressar as ideias sem enrolação e sem necessariamente fazer uso de palavras difíceis. Não é isso que torna um trabalho bom ou não”, salienta Bárbara. Para a jornalista, o TCC precisa estar bem escrito, o leitor precisa entender qual é o objetivo. Também é importante ouvir e aceitar as críticas do orientador, mas mostrar o seu ponto de vista, sempre que for necessário.

Ao dar início ao trabalho, Bárbara construiu um capítulo por vez, e, ao fazer as fichas de leitura, já as fez devidamente formatadas nas normas da ABNT, para poupar tempo. Outra dica da ex-aluna é aproveitar os finais de semana, feriados e férias para pôr em ordem as ideias, e redigir o conteúdo do TCC. De acordo com Bárbara, ao final do trabalho, é preciso revisá-lo muitas vezes, ter cuidado para não repetir palavras, verificar se as ideias estão claras, se as citações estão devidamente colocadas.

Bárbara não precisou virar as madrugadas fazendo o trabalho e até conseguiu entregar o TCC antes do prazo. “Tudo isso porque me organizei para não precisar me estressar no final”, lembra. Bárbara deixou para fazer apenas nas duas últimas semanas o resumo, sumário, introdução e conclusão, além da própria revisão. Mas, segundo ela, foi tempo suficiente para terminar tudo antes da data marcada para a entrega.

Distinção

Na apresentação de seu trabalho, Bárbara obteve o conceito de “distinção”, ou seja, a nota máxima, o sonho de vários estudantes. Para aqueles que pensam em obter tal feito, é preciso pensar em alguns detalhes. “Enquanto fazia o trabalho, não visava ganhar distinção, queria apenas terminar e ser aprovada”, conta. No entanto, Bárbara afirma que, com o passar do tempo e com a evolução do projeto, o desejo é de ver seu trabalho e empenho reconhecidos.

Pensando no objetivo de tentar uma distinção, o aluno deve fazer um trabalho bem escrito, que mostre claramente o objetivo da abordagem. Durante a apresentação para a banca, o aluno deve mostrar que tem domínio do seu trabalho. “Na minha apresentação, usei tópicos para lembrar o que iria falar, mas não fiquei lendo, é preciso saber de cor”, diz Bárbara, que explica que isso também se torna evidente no momento das perguntas feitas pela banca. “Você precisa estar confiante, defender o seu trabalho e tudo o que está escrito nele”, acredita a jornalista

1 Comentário

    Bom eu sou um desses academicos que ainda estou cru com meu tcc, não tenho idéia ainda do que fazer, estou no 7º período de Teologia pela Puc Pr, gostaria de ajuda, temas interessantes, e como fazer para terminar o ano letivo sem stress, obrigado(a).

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